quinta-feira, 30 de julho de 2015

Secretaria de Saúde causou prejuízo de R$ 2,88 milhões aos cofres do DF


Ed Alves/CB/D.A Press - 30/4/13

Entre negócios superfaturados, contratações desnecessárias e acordos direcionados, a Secretaria de Saúde (SES) causou um prejuízo de R$ 2,88 milhões aos cofres públicos, de 2011 a 2014, com aluguéis suspeitos de imóveis. Auditoria feita pela Controladoria-geral do DF (CGDF) aponta inúmeras irregularidades cometidas pelo governo passado. Locações realizadas com base em preços bem acima do mercado; aluguel de prédios de propriedade de servidor da pasta; depósitos de empresas na conta pessoal de executor de contrato; e ocupação do Estado em imóveis sem contrato vigente de forma ilegal foram algumas questões levantadas pelo órgão do GDF.

Leia mais notícias em Cidades

As dúvidas surgiram no fim do ano passado por causa do vazamento de um vídeo de um motorista da secretaria recebendo dinheiro do dono de uma proprietária de imóvel alugado, a Agropecuária São Gabriel. A pasta, à época, abriu processo administrativo interno para apurar o caso e, este ano, a Controladoria resolveu auditar todos os contratos dessa natureza. Somente com a São Gabriel foi verificado o aluguel de um espaço subutilizado que causou um prejuízo de R$ 77,5 mil ao erário.

Área ociosa
Outro desperdício de dinheiro apontado é na locação de um galpão de 2,8 mil m² em Vicente Pires. O projeto básico previa a construção de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) no local, que ocuparia apenas 800m². Para o restante, o plano era implantar um centro odontológico e um ambulatório de saúde funcional. No entanto, nada foi feito e o GDF continuou pagando mensalmente pelo uso da área ociosa. Fato mais grave ocorreu em Samambaia, onde o imóvel alugado não foi usado nem parcialmente.

Em outro prédio de Samambaia foram alugados dois andares, mas apenas um é usado. No Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), a pasta locou um galpão para ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o manteve 25% ocioso por um ano. Pelos cálculos da auditoria, o contrato representou um custo desnecessário de R$ 394 mil. No Gama, o órgão do GDF alugou dois imóveis vizinhos. Por um, pagou o equivalente a R$ 9,70 por m²; pelo outro, R$ 12,28.

domingo, 26 de julho de 2015

GOLPISMO VOLTA ÀS RUAS: MOVIMENTOS CONVOCAM 'SOS TCU' CONTRA DILMA

Lula Marques/AgênciaPT/Fotos Públicas:
Movimentos de oposição ao governo organizam atos simultâneos em diversas capitais do Brasil, na noite deste domingo, para pedir que o TCU rejeite as contas de 2014 do Planalto e as chamadas 'pedaladas fiscais', abrindo, assim, o caminho para o impeachment da presidente Dilma Rousseff...
26 DE JULHO DE 2015 ÀS 10:29

Está marcada para o dia 16 de agosto a grande manifestação dos grupos anti-Dilma e favoráveis a impeachment ou qualquer foram de remoção da presidente do poder. Eles, entretanto, resolveram fazer neste domingo, 26 de julho, manifestações simultâneas em todas as capitais, a partir das 18 horas, conclamando o TCU a rejeitar as contas de Dilma. O "SOS TCU" é um ensaio, um teste da receptividade à nova investida contra o governo.
Desde ontem os movimentos que participam da convocação estão mobilizando simpatizantes através das redes sociais. Fazem parte da ofensiva os grupos Brasil Livre, Nas Ruas, Vem Pra Rua, Brasil Melhor, BH Contra a Corrupção, Pátria Livre, Gigantes Brasileiros, Acorda Brasil, Democracia e Ética, Força Democrática, Caras Pintadas e For a Dilma Vitória.
Eles anunciam também um panelaço para o dia 6 de agosto, quando será exibido no rádio e na televisão o programa semestral do PT, que vem sendo preparado por João Santana e terá a participação da própria Dilma em defesa de seu governo e do PT.

BOLSONARO QUER SEU NOME EM PESQUISAS PARA O PLANALTO

Animado com pesquisa para lá de prévia feita pelo instituto MDA para as eleições presidenciais de 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), quer que seu nome seja mantido nas sondagens de todos os principais institutos do País; "Peço que contatem os institutos de pesquisa e solicitem manter (e incluir) meu nome nas próximas pesquisas. Estamos no G-4", diz o parlamentar
26 DE JULHO DE 2015 À: S 19:10
Rio 247 - Animado com pesquisa para lá de prévia feita pelo instituto MDA para as eleições presidenciais de 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), quer que seu nome seja mantido nas sondagens de todos os principais institutos do País. 
"Peço que contatem os institutos de pesquisa e solicitem manter (e incluir) meu nome nas próximas pesquisas. Estamos no G-4", diz o parlamentar em nota na coluna de Ilimar Franco, no jornal O Globo deste domingo (26).
Deputado considerado conservador e conhecido por episódios polêmicos, como o que disse à deputada Maria do Rosário que não a estuprava porque ela "não merece", Bolsonaro conta teria apoio, segundo a coluna, de movimentos considerados radicais contra o governo, como o 'Movimento Brasil Livre', o 'Revoltados Online' e o 'S.O.S. Forças Armadas'.
Os três pregam contra o comunismo, pelo combate à corrupção e contra a interferência do Estado na economia. O Revoltados elegeu Bolsonaro como maior porta-voz de suas ideias. O S.O.S. prega a intervenção militar. Todas essas organizações vão às ruas atacando as cotas, os nordestinos, os sem-teto e alguns usam símbolos como a suástica nazista.
A corrupção (nos governos do PT) e o descrédito do Congresso e dos partidos (pesquisa MDA) criam a química perfeita para o ressurgimento dessa força.
Contudo, o potencial de uma candidatura como a de Jair Bolsonaro (4,6%) ou do senador Ronaldo Caiado (1% nas pesquisas), diz o cientista político Alberto Carlos de Almeida, "não tem expressão real". Espiridião Amin (PPR) fez 2,7% dos votos no pleito de 1994.

Rodas da Paz reúne 10 mil pessoas em pedalada de 17 km Esta é a 13ª edição do passeio ciclístico promovido pela ONG. A intenção é conscientizar a convivência pacífica no trânsito

A concentração para a 13ª edição do Passeio Ciclístico Rodas da Paz começou cedo. Por volta das 8h, os primeiros atletas começaram a se posicionar em frente ao Museu Nacional. Animados pelo som da banda de percussão Patubatê, eles iniciaram a pedalada por volta de 9h30. O circuito completo tem 17 quilômetros. Os participantes sairam do ponto de encontro, seguindo pelo Eixo Monumental até a Ponte JK. Todo o circuito deve durar duas horas. Embora a organização esperasse 5 mil pessoas, 10 mil pessoas participam do evento nesta manhã.





Leia mais notícias em Cidades

Com o tema: A Bicicleta Integra As Cidades, a intenção do passeio é mostrar como a convivência entre diferentes modos de se locomover pode ser pacífica no trânsito do DF. É um momento também de homenagem aos ciclistas que perderam as vidas para a violência no trânsito. Haverá ainda um buzinaço pelo respeito nas vias da capital. 



O percurso começou com o filho de João Lopes, ciclista atropelado em Ceilândia Norte, na última semana, dando um depoimento emocionado. "Daqui a duas semanas é Dia dos Pais e eu não vou almoçar com o meu", disse. Ele pediu políticas públicas adequadas que favoreçam a convivência pacífica entre ciclistas e motoristas.

Para fazer a proteção o evento conta com 100 batedores próprios e mais os da polícia. "Temos algumas pessoas que se voluntariaram para fazer a segurança, são ciclistas experientes que podem nos dar esse auxílio", comenta a coordenadora geral do Rodas da Paz, Renata Florentino.



Durante o evento, caso queiram os ciclistas contarão com algumas food bikes. "São duas vendendo doces e uma vendendo lanches naturais", informa a coordenadora. Também serão vendidos no local coletes refletores (R$ 30), adesivos para carro (um por R$3, ou dois por R$ 5), ou adesivos reflexivos para as bicicletas (jogo com quatro adesivos por R$ 5).



Sérgio Monforte, 36 anos, trouxe o filho Arthur, 3, para o passeio. "Acho importante que ele tenha este habito desde pequeno. Vou de bicicleta para o trabalho e vejo que ainda falta educação no trânsito, principalmente para os motoristas. Como faltam ciclovias, muita gente não investe na bicicleta também".

Para os pequenos
A criançada também participa do evento, que para eles vem na versão de Rodinhas da Paz. A largada foi às 9h, alguns minutos antes dos adultos saírem para a volta, e terá 2,5 quilômetros de extensão. Os palhaços da Anjalhaço escoltam o grupo.

Critica Gestão de Rollemberg: "Governo ainda não começou" O deputado distrital é voz forte de oposição ao líder do Executivo local, mas faz uma ressalva: "Tenho ajudado mais do que a própria base aliada dele".

Desde menino, ele adotou uma das máximas de São Francisco de Assis: “Consolar e ser consolado”. Na política, onde milita há 35 anos, prefere ser reconhecido como amigo das horas difíceis, ainda que lhe custe votos e duras críticas. Fez isso com Cristovam Buarque, José Dirceu e Agnelo Queiroz. “Apanhei muito por isso, mas não me arrependo. Faria de novo.” Francisco Domingos dos Santos chegou a Brasília, de ônibus, vindo de Vitorino Freire, no Maranhão. Orgulha-se de nunca ter “arredado o pé da Ceilândia” e de ser um dos fundadores do PT, ao lado de Lula. Minimiza o momento crítico pelo qual a legenda passa. Pragmático, acha que o partido não deve levar a ferro e fogo a ideia de concorrer como cabeça de chapa tanto para o GDF quanto para a Presidência. “O PT precisa ter humildade”. Deputado distrital de oposição, Chico faz duras críticas à gestão de Rollemberg, que para ele “não começou”. Mas diz não ser da ala “do quanto pior melhor” e arremata: “Quero que o governo dele dê certo. Senão, será um retrocesso para Brasília”.


 Carlos Vieira/CB/D.A Press

“Não saio da Ceilândia de jeito nenhum”

Eu tive oportunidade de sair da Ceilândia quando fui eleito deputado federal, em 1990. Tinha direito a um apartamento de quatro quartos na Asa Sul ou na Asa Norte. Qualquer pessoa ficaria tentada. Antes de ser eleito, eu disse para minha família : “Não vou sair daqui”. E a minha rua nem asfalto tinha. Eu continuo morando na mesma rua desde 1982, lá no P Sul, só fiz uma reforma na casa. As pessoas apostavam que eu ia sair, eu insisti em ficar. Se eu perdesse a eleição, teria que transferir os cacarecos de volta e os vizinhos iam dizer: “Tá vendo, o metidão foi pro Plano e agora voltou pianinho”. As amizades dos meus filhos estão ali, as minhas também. Queria mostrar que um deputado federal poderia ser eleito morando lá. Eu não saio da Ceilândia de jeito nenhum. Não há nenhuma hipótese. Quando eu desci na rodoviária de Brasília em 1977, vindo do Maranhão, nunca tinha visto um barraco de madeira. Eu morava na roça, em casa de palha, mas vi ali que as coisas na cidade grande eram muito piores.

O senhor é um dos fundadores do PT. Este é o momento mais crítico do partido em 35 anos?

Não. O PT já nasceu em crise. A primeira grande crise do PT aconteceu quando, ainda na gestação do partido, o então sindicalista Lula foi acusado de ter participado do assassinato de um proprietário rural no Acre. Lula foi indiciado pela Justiça Militar, foi condenado, houve recurso aqui pro Superior Tribunal Militar. No dia do julgamento, juntamos um mutirão para assistir à sessão. O curioso é que a gente só tinha dois paletós antigos, eu mesmo nunca tinha usado um. Usei o primeiro naquele dia. Aí combinamos que um entrava, assistia um pouco à sessão, e depois voltava para revezar com o colega. Estavam lá Teotônio Vilela, Fernando Henrique e outros. Quando chegou a minha vez, eu achei tão empolgante aquilo tudo que esqueci o compromisso. Só saí quase no final. Ficou todo mundo pau da vida comigo. Depois, teve um episódio quando Jose Genoino foi acusado de participar da morte de um trabalhador lá em Guaribas (SP). Mais uma condenação contra o PT. Em seguida, Luiza Erundina foi eleita prefeita, e o vice dela, Luiz Eduardo Greenhalgh, um dos homens mais respeitados deste país, foi acusado de corrupção. Mais tarde, aqui em Brasília em 1994, o caso da doação de 200 mil reais da Odebrecht, o mundo desabou no governo Cristovam. E nós ainda tivemos a “inteligência” de organizar uma vaquinha para pagar o dinheiro da Odebrecht. Não serviu para arrecadar, mas esticou por meses a crise na imprensa e provocou grande desgaste para o PT.

Mas hoje, na Operação Lava-Jato, muito se fala que essas doações, embora sejam declaradas, são uma espécie de lavagem de dinheiro. Naquela época, isso ocorreu?
Naquela época, foi pura campanha. Doação. Não foi caixa 2, não existia caixa 2. Nem foi registrado na Justiça Eleitoral.

Não foi? 
A Odebrecht? Acho que não.

Foi sim.
Pois é. Mas, nesse caso agora, todas as doações são legais. O que eu fico impressionado é com a capacidade… O dinheiro estava no mesmo balaio, o dinheiro veio da mesma fonte, que é das empresas prestadoras de serviço da Petrobras. Como é que o dinheiro doado para o PT é ilegal, e o dinheiro doado para o Aécio (Neves), do PSDB, é legal? Mas vamos à raiz do mensalão. Ele nasceu exatamente em Minas Gerais, com o (Eduardo) Azeredo. Foi ali que o (publicitário) Marcos Valério entendeu como mexia com essas coisas, ele aperfeiçoou, trouxe a ideia, o PT não deveria ter aceitado e aceitou. Agora, no processo do PT, já foram condenados, colocados na cadeia, a sociedade já os humilhou. E o Azeredo continua livre, leve e solto, com a possibilidade de o processo contra ele morrer, pelo prazo. Esse tratamento eu não aceito.

O PT não nasceu para ser um partido diferente? Quando se iguala aos outros, não é a morte?
Nasceu, mas a gente não conseguiu alterar as regras do jogo até hoje. Era romântico, achava fantástico quando a gente ia a feiras vender camiseta do PT, e as pessoas faziam fila para comprar. A gente levava uma tela, e as pessoas faziam fila para pintar a estrela do PT na roupa. Era romântico, só que daquele jeito a gente não ia ganhar a eleição nunca. Porque o financiamento, o jogo, está aí estabelecido. Quando a gente ganhou com o presidente Lula — e ele tinha a autoridade para mudar isso —, em vez de mudar, a gente resolveu entrar no financiamento igual aos outros. E essa foi a morte do PT. Fez mal para o PT.

A morte do PT?
Não, o PT não morreu e não vai morrer nunca. Estou dizendo que foi ruim para nós. Muito ruim. A gente precisava continuar denunciando. Falam do horário gratuito de televisão. Tem coisa mais cara do que horário gratuito de televisão? Tem coisa nenhuma. Campanha é cara. E cada vez encarece mais. Essa reforma que (o presidente da Câmara) Eduardo Cunha fez só vai eleger rico. Pobre está definitivamente descartado.

Dificilmente há outra pessoa em Brasília que tenha mais a cara do PT do que o senhor. O senhor não se envolveu em denúncia nenhuma, mas está sempre defendendo os “companheiros”...
Eu perco voto com isso. Só que eu aprendi uma coisa com a minha mãe, que era uma quebradeira de coco, uma personalidade muito forte. E ela me ensinou algo sobre solidariedade. Ninguém precisa de solidariedade quando está na festa. Precisa na hora da necessidade. Na hora que está preso, na hora que está sendo humilhado… Não quer dizer que eu concorde com tudo o que eles fizeram. Mas a solidariedade é fundamental, por isso que eu fui à prisão visitar o José Dirceu e não me arrependo disso. A política não pode ser o jogo em que você só quer ganhar e fazer demagogia para conseguir mais votos. Uma pessoa com a qual eu tenho o maior respeito, o Reguffe, veio com esta ideia de imposto zero para medicamentos. Eu cheguei para o governador Rollemberg e perguntei: “Você tem condição de abrir mão de arrecadação de R$ 300 milhões em impostos para o Distrito Federal?”. Porque é isso que vai custar esse imposto zero para os medicamentos: R$ 300 milhões a cada ano. Em vez de defender imposto zero para medicamentos, por que não fazer com que tenha remédio na rede (de Saúde), onde as pessoas mais necessitadas tenham tratamento contínuo, com o Estado pagando?

O senhor caracteriza isso como oportunismo?
Isso é uma forma de política… Todo mundo quer estradas e ruas pavimentadas, hospitais bem arrumados, escolas maravilhosas, mas ninguém quer pagar imposto. Na hora que fala em pagar imposto, ficam dizendo que a taxa de impostos no Brasil é a mais alta. Não é. Talvez os impostos daqui sejam menos fiscalizados e mal aplicados.

O senhor fala em solidariedade. O ex-governador Agnelo Queiroz terá a sua solidariedade,quando voltar?
Em relação ao governador Agnelo, quero pontuar as coisas boas que foram feitas. A coragem que ele teve de enfrentar o cartel do transporte coletivo e ter licitado e renovado a frota, ter pela primeira vez construído creches públicas no Distrito Federal, enfrentar a questão do lixo, ter dado aumento para o servidor público, porque ele é tratado como criminoso hoje porque deu aumento para o servidor…

Ele não exagerou? Esses aumentos não levaram o GDF quase à falência?
Não, não levaram o GDF à falência. Há governos que optam por fazer viaduto e outros que optam por melhorar a situação dos servidores. Agnelo fez os dois. Fez rodovias, recapeou mais de 3 mil quilômetros e aumentou o salário dos servidores. Eu não concordo, e tenho reclamado desde o primeiro momento com esta tese do governador Rollemberg de que o Distrito Federal está falido. Ela é inverídica. Ele dizia durante a campanha que dinheiro tinha. Faltava competência. Faltava gestão. Agora, eu tenho dito que tem dinheiro e falta gestão. E em alguns casos falta vergonha na cara de alguns dirigentes.

O governo pode chegar ao fim do ano sem conseguir pagar os salários dos servidores. Isso é má gestão?
Isso não foi o primeiro que aconteceu. Isso remete às pedaladas. Pedalada vem do tempo do governo Roriz, pedalada vem do tempo do governo Arruda. Teve pedalada no governo Cristovam, Agnelo e vai ter no governo Rollemberg. Isso é uma realidade.

Deixar conta de dezembro para pagar em janeiro…
Exatamente. Antecipação. Sempre foi feito. Não vai encontrar recursos. Eu ficava olhando o secretário de Saúde dizendo que não tinha dinheiro, mas o Orçamento da Saúde no Distrito Federal é de mais de R$ 5 bilhões. Faltam gerenciamento e competência.



Carlos Vieira/CB/D.A Press


Também faltaram no governo do PT, do ex-governador Agnelo?
Houve problemas de gerenciamento. Mas não houve um escândalo, daqueles que podem ser chamados de escândalo. Apontem um escândalo no governo Agnelo. Não tem.

Por que a popularidade dele chegou àquele patamar?
Faltou, acima de tudo, competência para divulgar o que fazia. A Secretaria de Comunicação do governo Agnelo foi um desastre. As pessoas que estavam lá não comunicavam nada. Há uma questão muito equivocada que eu vejo, especialmente aqui em Brasília, que as pessoas reclamam que o governo está gastando com publicidade. A comunicação é importante para uma nação, para uma população, é fundamental. Quando eu vejo alguém dizendo para cortar recurso de publicidade, eu vejo que é burrice. Isso é uma questão de visão do mundo, que muita gente não tem.

Na próxima eleição, já é possível a legenda se reerguer em Brasília?
Não estou pensando ainda na eleição de 2018. E não quero que o Distrito Federal afunde. Não sou daqueles que fazem política de quanto pior, melhor. Sou crítico, sou duro em relação ao Rollemberg, mas tenho ajudado mais do que a própria base dele, já disse isso para ele. Porque a gente tem que discutir as ideias. Quando chegar na hora da eleição, quero ver quem terá as melhores propostas. Não quero que o DF esteja destruído e eu ganhe a eleição em cima disso. Se eu ajudo na destruição, eu mesmo terei muito mais dificuldade na recuperação. Agora, é difícil colaborar com quem não quer ser ajudado.

Por que o senhor diz isso?
Dia desses, alguém me perguntou: “Que nota o senhor dá ao governo Rollemberg?”. Eu respondi: “Não dou nota nenhuma, porque o governo não começou. Quando começar, eu vou avaliar e dar uma nota”.

Falta o quê para começar?
Ele dizia que faltava gestão. E continua faltando. E faltando muito. O maior erro que ele cometeu foi chegar e pintar um quadro de terra arrasada, que o Distrito Federal estava à beira do caos. Quem está lá fora vai querer investir num lugar que é um caos? Claro que não. A circulação de renda parou, o DF deixou de render, e a crise aqui se apresentou maior do que a crise que temos no Brasil hoje, enquanto em estados os governadores estão fazendo diferente. O (governador de Goiás) Marconi Perillo, adversário do ponto de vista ideológico, porque é do PSDB, é um sujeito competente, e está fazendo uma gestão em Goiás pela qual o estado está crescendo.

Elogiar um tucano é raro, não?
Mas o que é verdade tem que ser dito. No Ceará, o governador, mesmo nesta crise toda, fez com que o estado tivesse um crescimento de 1,5%. Em Minas Gerais, o Pimentel está conseguindo…

Apesar desse problema que o senhor atribui à Comunicação, o ex-governador Agnelo já tem condições de andar em Brasília sem ser vaiado?
Sem dúvida. Vai andar na rua normalmente. As pessoas precisam aprender a respeitar os outros. Vaia, xingamento, baixaria não levam a absolutamente nada.

O PT tem apanhado muito, inclusive com vaias e xingamentos.  O senhor, em algum momento, se sentiu constrangido, notou algo direcionado ao senhor?
Ando sozinho e livremente, sem ser incomodado.

Ao contrário da presidente Dilma?
Há algumas coisas aí. A presidente Dilma ganhou uma eleição num país eminentemente machista, um país onde a mulher não votava até a década de 1920; que, para se deslocar de um estado para outro precisava ter autorização do marido; que para trabalhar precisava de autorização também… Quando uma mulher rompe com tudo isso e chega à Presidência da República… Tem a questão de ser mulher, de ser guerrilheira, dizem que é muito dura… Acumulando tudo isso…

E ela é muito dura?
Eu acho que tinha de ser mais ainda.

Parte dessas críticas a Dilma seria fruto de preconceito?  
Tem muito de preconceito por ela ser mulher. Temos também uma crise generalizada. As pessoas no Brasil estavam acostumadas com um patamar de consumo e agora têm que comprar menos, passear menos. Tem também a questão da energia que disparou. Só que a Dilma diminuiu o preço em 20%. Se ela não tivesse diminuído, o impacto seria muito maior. Quando a economia voltar a crescer — e vai voltar —, esse momento passa.

Dizem, inclusive dentro do PT, que  Lula abandonou Dilma, e que ela está sozinha. Como avalia isso?
Isso é lenda, não existe. Eu conheço o Lula. O Lula não abandona um amigo. Aconteça o que acontecer. E essa história de que o Lula quer mandar na Dilma é outra conversa fiada.

Lula volta em 2018?
Não sei. Seria bom para o Brasil. Saúde ele tem, disposição, ele tem. Mas não sei.

O PT tem errado muito? 
O PT erra, a sociedade erra. Acho que o grande erro é achar que se um padre é pedófilo, a Igreja fica satanizada. O PT tem pessoas boas e pessoas que não prestam. Isso é o conjunto da sociedade. Mas tem uma coisa que o Ciro Gomes tem razão. Como nós fomos a palmatória do mundo, a gente não poderia pecar, mesmo os nossos pecados sendo, muitas vezes, menores do que os dos outros. A gente se apresentou como os puros. Quem é puro não pode cometer nenhuma falha.   

E os pedidos de impeachment ? 
Isso é a coisa mais absurda. Se for fazer impeachment de governo porque é mal avaliado, tem que tirar todos os governadores e prefeitos. A eleição é de quatro em quatro anos. Tem o momento exato para trocar os políticos, a não ser quando cometeu crime, coisa que ela não fez.   

Em 2018, o PT pode não ser cabeça de chapa? 
Acho que o PT tem que ter clareza de que não pode sempre ser cabeça de chapa. O PT tem avaliar o seguinte: se há um programa que se adeque conosco, podemos ir com ele. Se não tem, lançamos candidato.   

A chamada “velha política” ainda tem chances no Distrito Federal?
A gente sempre se considerou uma cidade altamente politizada. Mas, com o crescimento e o inchaço, a cidade também criou seus grotões, não é diferente do interior do Piauí, onde prevalece a política do dinheiro, da compra de voto. Isso é grave. Portanto, aqui tudo é possível.

Se o governo Rollemberg não der certo, por exemplo?
Por isso que eu quero que dê certo. Porque a gente precisa avançar. Não dá para voltar. Mas você pega as relações do Legislativo com o Executivo. O primeiro escândalo do governo Roriz, nos anos 1990, foi dos Anões do Cerrado. Havia os Anões do Orçamento, e aqui tínhamos os Anões do Cerrado. O mesmo esquema que pagava um pagava outro. Aí no governo Cristovam havia uma grande dificuldade com a Câmara Legislativa. E é bom lembrar que o negociador do governo Cristovam na Câmara era o Waldomiro Diniz, era o secretário parlamentar. Na volta do Roriz, você teve as mesmas práticas de antigamente. No governo Arruda, eu pedi a ele que tivesse uma relação diferente com o Legislativo, mas durou seis meses… E o resultado dessa relação você vê nas últimas eleições. Da base do Agnelo, foram eleitos 15 distritais, e ele não foi nem para o segundo turno. Porque cada um fazia sua própria campanha, em interesse próprio.

E com o Rollemberg?
Ele fez pior. Negociou escondido. Tem deputado com administração, tem deputado com empresa… Deveria ter feito às claras. Tanto é que eu apresentei um projeto que não prosperou, que determinava que cada indicação de cargo comissionado tivesse o DNA de quem apresentou, para deixar às claras, mas claro que o projeto não andou.

Essa negociação é só na questão de “loteamento” de cargos ou vai além?
Antes, eles pagavam. A Caixa de Pandora, o que foi? Pagamento de apoio político. Espero que hoje só se faça o loteamento político.

O segundo semestre será com a mesma dificuldade? 
No primeiro semestre, o governador só mandou coisas ruins, de aumentos de impostos, quando dá para fazer de outro jeito. Quando ele quis aumentar o IPTU, alguns casos em até 600%, deveria ter feito o recadastramento dos imóveis. Com isso, ele vai arrecadar mais do que com aumento de impostos. Outra coisa que estou batalhando: a Lei de Uso e Ocupação de Solo. Temos 100 mil estabelecimentos funcionando na ilegalidade no DF que podem pagar impostos. Tem que ter coragem de mandar o projeto. E onde tiver submarinos nós vamos denunciar.

E esta Câmara Legislativa hoje? Já começou ou está como o senhor disse sobre Rollemberg? 
Essa Câmara é cheia de contradições. Tem muita gente ali que não sabe o real sentido do que é o poder. Acho que não se pode ter birra com o governador. O que está em jogo é a cidade. Vai ter muito problema. Tem uma pessoa, o Hélio Doyle, que satanizaram, mas que não é o demônio. Ele é uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Acho que Rollemberg não teve coragem de fazer o enfrentamento e perdeu com isso.   Esse enfrentamento foi feito pela presidente da Câmara, Celina Leão.

O que achou daquela postura? 
Acho que o governador deveria ter dito que os Poderes têm que ser harmônicos, mas no governo dele quem manda é ele. Se o homem forte do governo cai daquele jeito, que tranquilidade os outros terão?  

Qual é o mais grave problema do DF hoje?
Um assunto da maior gravidade é a invasão de terra. Esse é o problema mais terrível que temos. Os grileiros de Brasília ganharam mais dinheiro do que qualquer grileiro das matas da Amazônia.

Tem grileiro na elite e na pobreza?
Tem grileiro rico e grileiro pobre. Tem de todas as matizes. Eles andam livres e soltos grilando por aí. Quando põe alguém sério, que parte para o enfrentamento, e quer botar ordem e tem coragem,  fazem de tudo para derrubar. É o caso dessa diretora da Agefis, uma mulher de bem, corajosa. Tem um monte de gente querendo derrubá-la. Numa audiência ontem (quarta-feira), ela disse brincando: esta Brasília está mesmo de cabeça pra baixo: os deputados da base do governo lutando pra me derrubar, e o senhor da oposição é o único que me defende.

Por que nos dois governos do PT essa grilagem não foi estancada? 
Tentou-se fazer e não se conseguiu. São poderosos. Envolve aquela velha história: “Sabe com quem está falando?” . Quer grilagem maior do que Vicente Pires? Passou por todos os governos. O Itapoã era uma área da Aeronáutica. Grilaram terra das Forças Armadas. O povo não tem culpa disso. Tinha uma política habitacional organizada até a década de 1980. A partir do momento que foi dado lote apenas para quem invadia... No governo Roriz, só invasor era beneficiado.   

O deputado Wasny de Roure conseguirá ser eleito pela Câmara Legislativa para a vaga noTribunal de Contas do DF? 
Estou lutando por isso. Tenho o maior respeito pelo Dr. Michel, que é um deputado bom, mas o deputado Wasny tem bastante experiência. Para o Tribunal de Contas, ele é o melhor nome.

Mesmo que isso signifique reduzir a bancada do PT na Câmara Legislativa? Não enfraquece o partido na oposição? 
Tiveram momentos que o PT não tinha ninguém no parlamento e fazia a luta social mesmo assim. Eu tenho o maior respeito pelo Chico Leite e pelo Cláudio Abrantes, mas lamento que eles estejam indo para a Rede. Se tem uma coisa que o eleitor não perdoa é traidor. Se fui eleito por um partido, não posso sair desse partido. Isso é uma coisa que a gente precisa aprender no Brasil. Nos Estados Unidos, se um democrata vira republicano, está liquidado.   

O senhor foi um grande defensor de Cristovam Buarque. Ainda está disposto a defendê-lo? 
O Cristovam é uma pessoa de muito respeito. Só acho que ele anda muito egoísta. Tenho carinho por ele. Tem uma coisa que marcou muito. Quando ele perdeu a reeleição, deixou a residência oficial e voltou para a Asa Norte, cheguei à casa dele e ele estava desempacotando as caixas com a dona Gladys. Eles estavam arrumando os livros na estante, no mesmo apartamento onde sempre morou. Eu pensei: “Esse é o tipo de político que serve para o país”. Portanto, por mais que ele me faça raiva, gosto dele.   

E ele lhe faz muita raiva? Quando Cristovam critica a presidente Dilma e o PT, incomoda? 
Incomoda muito. Porque tenho dito: primeiro porque a Dilma é mulher. Não se deve criticar, considerando-se todas as dificuldades que as mulheres atravessam. Segundo, porque ele já foi governador e sabe a dificuldade que é. Sabe que não se faz tudo o que se quer. Ele não conseguiu fazer tudo o que queria.   

E o senhor perdeu a eleição em 1998 de tanto defendê-lo? 
Eu tinha sido eleito deputado federal mais votado em 1994, de Brasília e proporcionalmente do Brasil. Tanto é que o Sérgio Manberti, que é petista, disse ao Cristovam — e isso me emocionou: “Você é um homem mau. Como é que você, governador, permite que o Chico Vigilante perca uma eleição? Ele é importante para o Brasil”. Eu perdi porque defendi como ninguém. E não me arrependo de ter empenhado o meu mandato para defendê-lo.   

Da chegada à Rodoviária, em 1977, para hoje, o que marcou mais a sua vida? 
A coisa que me marcou mais e me fez entrar para essa luta foi o dia em que um vigilante morreu e a família não tinha como sepultá-lo. Tivemos que fazer uma vaquinha para o enterro. Isso é que me trouxe para essa luta. Eu disse que nunca mais um vigilante passaria por aquilo.   

Foi vigilante quanto tempo? 
Continuo vigilante. Estou apenas licenciado da empresa. Eu trabalhei, no meu primeiro dia de serviço, no quinto andar do Tribunal de Justiça. Depois, trabalhei na Telebrasilia, Ceasa, Colmeia... Veio a greve, me demitiram. Muito tempo depois, fizemos uma greve para obrigar uma empresa a me contratar para que eu pudesse assumir a presidência do sindicato.   

Para um homem nordestino e pobre, foi difícil conseguir tantas conquistas? 
Não era natural. Quando eu cheguei ao Congresso Nacional, na primeira vez que entrei no plenário, em1991, senti que estava ocupando um espaço que não era meu. A primeira batalha foi fazer com que meu nome constasse como Chico Vigilante. Foi uma semana de luta. Queriam botar Francisco Domingo dos Santos. Eu dizia: “É Chico Vigilante”.  

Tem muito preconceito ainda no Brasil com pobre, negro, mulher? 
Pobre, negro, nordestino, prostituta e homossexual. Continua o mesmo preconceito velho de sempre.   

Leia mais notícias em Cidades

Apanha muito nas redes sociais? 
Eu respondo. Batem bastante e eu também dou as minhas.   

De onde o senhor tira essa determinação? 
Veja bem: um camarada que nasceu numa família extremamente pobre, nunca tinha visto água tratada e até os 23 anos usava lamparina para iluminação... Minha mãe, muitas vezes, tinha que dividir um ovo para quatro meninos. Dois ovos para oito irmãos, comendo mingau de arroz. Tinha trabalhado na construção civil em Roraima, em Tucuruí. Muitas vezes, a gente via aqueles pães doces na vitrine e não tinha dinheiro para comprar, com a boca cheia d’água. Isso foi me transformando no que eu sou. Não tive facilidade. E aí optei por sempre falar a verdade. Não tenho medo de nada.  

Por que veio para Brasília?
 Primeiro fui para Roraima, depois Tucuruí (PA)... Lá aconteceu uma coisa que, para mim, foi um milagre. Tive uma febre tão terrível que a pele saía. Eu fiz uma promessa que se sobrevivesse iria a um festejo que tem lá no Maranhão e daria uma volta de joelho ao redor da igreja. Era a festa de São Raimundo Nonato. No mesmo dia, o pai do médico que estava me tratando ficou doente. Veio outro médico, do Rio de Janeiro, para nos tratar, funcionários da Camargo Corrêa. Quando o médico chegou e perguntou “O que você tem?”, eu respondi: “É malária”. Ele disse que não era e alterou minha medicação. Eu estava havia oito dias sem comer. Escapei. Quando voltei para casa, minha mãe achou que eu era um fantasma. Ela já tinha encomendado a minha alma. Ela me abraçou chorando. Depois, paguei a minha promessa. Também dei muito trabalho para nascer. Minha mãe esperou oito dias.   

Sua mãe ficou orgulhosa de seu ingresso na política? 
Ela tinha muito medo. Dizia: “Meu filho, você não pode mexer com esse povo grande”. Minha avó e bisavó eram anticomunistas, sem saber o que era comunismo. Tinha a questão da religiosidade do interior de Pernambuco. Elas foram para o Maranhão a pé, fugindo da seca. Andaram três meses. Naquela época, eu não sabia o que era Cuba ou Fidel Castro. Mas elas, qualquer coisa que achavam malfeito, diziam: “Isso é coisa do Fidel Castro”. 

 A sua mulher é daqui? 
Não. É maranhense. Outro detalhe da nossa vida. Eu a conheci e em 15 dias nos casamos. Casamos sem namorar e estamos há 33 anos casados. Além de o amor que sinto por ela ser eterno, tem uma coisa que motivou muito. O pai dela era cearense, morando no Maranhão, e muito racista. Depois, virou amigo e se mostrou uma pessoa extraordinária. Mas, na época, como sou negro, ele disse para a filha: “Você não vai casar com este negro safado”. Eu disse: “Agora eu vou para mostrar para ele que não sou negro safado”. E deu muito certo. Sem ela para cuidar de casa e dos filhos, eu não teria conseguido fazer a luta que fizemos.

Águas Claras precisa de 23 mil m² de calçadas em área pública, diz estudo Em várias ruas, pedestres são obrigados a disputar espaços com carros. Administração vai notificar donos de lotes a fazer calçadas em suas áreas.

Estudo feito pela administração de Águas Claras mostra que a região precisa de 23.690 m² de calçadas em áreas públicas. O levantamento vai servir de base para uma licitação, ainda sem data prevista para ser aberta. A falta de calçadas em várias ruas é uma das principais queixas dos moradores da região.
Eles vão passar 30 dias em Águas Claras e vão primeiramente nas ruas Sul e Norte, de condomínio em condomínio, ou lote vazio. Vão notificar o proprietário a construir as calçadas e, se estiver com a calçada inadequada, notifica o condomínio a adequar de acordo com a acessibilidade"
Rafael Conte,
da administração de Águas Claras
De acordo com a administração, parte dos recursos que vão custear as futuras obras – R$ 850 mil – será obtida por meio de emenda parlamentar federal. O restante necessário será desembolsado pelo governo. A administração, porém, não informou o quanto mais será preciso para que todas as ruas tenham calçada.
Para amenizar o problema na região, a Agefis vai iniciar no próximo mês uma ação para notificar donos de condomínios e de lotes vazios a pavimentarem as calçadas dentro de suas áreas, disse o responsável pela coordenadoria executiva da administração regional, Rafael Conte. "Não sabemos ainda quanto é a área particular [sem calçada], mas é muito maior do que a área pública."
“Eles [equipes da Agefis] vão passar 30 dias em Águas Claras e vão primeiramente nas ruas Sul e Norte, de condomínio em condomínio ou lote vazio. Vão notificar o proprietário a construir as calçadas e, se estiver com a calçada inadequada, notifica o condomínio a adequar de acordo com a acessibilidade”, disse Conte. Ele disse que, depois, a administração vai iniciar uma etapa para reformar calçadas públicas malconservadas.
Problemas
Pedestres relatam dificuldades para se deslocar pelas ruas de Águas Claras. Não há calçadas em muitas áreas. Quando há, é comum elas não terem continuidade, irem de encontro com a grama ou a terra e até com galerias de águas pluviais.
Na Avenida Parque Águas Claras, em frente ao Condomínio Mansões do Parque, há 300 metros de calçada. Depois, há 400 metros de gramado até que o pedestre volte à calçada. “A gente anda e tem muita dificuldade com calçadas irregulares. São vários problemas. Tem que ter um investimento maior, uma visão maior para melhorias”, disse o morador Reinaldo Pereira. “Muita gente cai andando. Acaba a calçada, a pessoa não está enxergando direito de noite e acaba caindo”, diz a companheira dele, Daniele de Oliveira.
Calçada sem continuidade leva à grama (Foto: Isabella Formiga/G1)Calçada sem continuidade leva à grama (Foto: Isabella Formiga/G1)
Perigo
O professor de inglês Rafael Leite seguia pelo gramado quando se deparou com uma galeria de águas pluviais onde deveria existir uma calçada. Ele precisou seguir pela pista, ao lado dos carros. Em um cruzamento perto da estação Concessionárias, do Metrô, se arriscou novamente para atravessar a rua, já que não há faixa de pedestres no local (veja vídeo).
”A calçada acabou ali. Aqui em Águas Claras é muito comum você estar andando e a calçada acabar. Ou você atravessa para o outro lado ou suja seu tênis”, diz. “Moro aqui em cima, então quando vou sair nessa área prefiro andar do que pegar o carro. É perigoso às vezes, principalmente no horário de pico, porque tem muitos carros em Águas Claras.”
Do outro lado do mesmo cruzamento, a calçada termina em uma curva e a grama por onde os pedestres poderiam seguir leva a um barranco, onde há apenas um grande terreno vazio. Novamente o pedestre é obrigado a seguir pela rua, ao lado dos carros. 
Metrôs
A situação perto das três estações de metrô da região administrativa (Arniqueiras, Águas Claras e Concessionárias) não é diferente: muitas calçadas terminam na rua. Os pedestres são obrigados a disputar espaço com veículos ou passar sobre faixas de grama.
O comerciário Divino Pimenta diz que preferiu passar pela rua a se arriscar no pequeno trecho de grama entre o barranco e o estacionamento em Arniqueiras.

“[A gente] Tem que adaptar a nossa caminhada aqui pela falta de um passeio. Aqui é um estacionamento de carro [...] e a gente acaba ficando sem a calçada para caminhada”, diz. “Há um penhasco ali, então é perigoso. Até [há o risco de ocorrer] algum desequilíbrio ou alguém passar e esbarrar em alguém e cair ali. Por isso acho mais seguro pela rua.”
Conte, da administração regional, diz que nos lugares em que há declives e não há espaço para a construção de calçadas, a acessibilidade de pedestres será priorizada e é possível que os bolsões de estacionamento sejam reduzidos. “Se [as vagas] estão em 90 graus, vamos colocá-las paralelas [à calçada]”, afirma.
Viadutos
A situação perto dos viadutos dos metrôs também é ruim para os pedestres. Embora haja uma grande barreira nas laterais das passagens, as curvas ficam desprotegidas para os pedestres. As calçadas também são estreitas e não há faixa de pedestre na pista, que é de grande movimentação. A dona de casa Rosana Moreira diz que não se arrisca a passar pelo local com o bebê no colo.
“Não teria coragem porque estaria arriscando a minha vida e a vida da minha mãe também. Corro o risco de um carro poder me atropelar ali, um carro desgovernado de repente [...] me atropela, acontece algum acidente comigo ou com qualquer outra pessoa”, diz. “Tem que alargar ali, fazer um meio de alargar e fazer calçada melhor”, diz a mãe dela, Vera Lucia Moreira.
Tapumes
Os moradores também reclamam que tapumes de prédios em construção invadem o espaço destinado a pedestres e ao estacionamento de carros. Segundo Conte, os responsáveis pela construção do lote podem ocupar a totalidade da área a ser construída e têm direito a cinco metros para área de segurança. A área pública que for ocupada deve ser alugada.
“Geralmente, se essa área que pega na frente é licenciada, tem que deixar [espaço] para acessibilidade. Se ele foi lá e 'engoliu' a calçada para dentro do canteiro, tem que deixar um ou dois metros de calçada, área com meio fio e com cercas.”