O Tribunal de Justiça do Distrito Federal teve uma tarde agitada nesta quarta-feira (5) a chamada invasão de terras públicas na cidade satélite de Vicente Pires, provocou o judiciário em busca de liminares para impedir a derrubada de residências no condomínio Chácara 200.
Algumas residências tiveram o início da obra em setembro do ano passado, com o aval das Administração Regionais subordinadas à Secretaria de Obras do DF. Em setembro do ano passado foi dado início a várias construções em que hoje são ocupadas por famílias.
Em abril, no dia 23, um ofício de número 257/2015 a Codesa/Sops comunica a Delegacia Especial do Meio Ambiente (DEMA) que a Chácara 200 em Vicente Pires teve autorização da Administração Regional que permite a construção de residências no local. (Leia documento abaixo). Isso significa que o governo do Distrito Federal permitiu a construção, pois a cidade de Vicente Pires é totalmente irregular nas construções.
Acontece que práticas ao longo dos anos são aplicadas com pedidos de propina em troca de alvarás que permitem obras irregulares. A Chácara 200 sofreu a ação da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) nesta terça-feira e os moradores tentaram impedir a ação de derrubadas das residências buscando liminares na Justiça e formando barricadas, impedindo as máquinas de demolir as residências ocupadas por várias famílias.
A Agefis, comandada por Bruna Monteiro chamou a Polícia Militar e o Batalhão de Choque para invadir o condomínio, causando um enorme tumulto. Moradores que foram pegos de surpresa se amotinaram dentro das residências na tentativa de ganhar tempo para recorrer à Justiça, ouve casos em que moradores foram tirados a força de dentro de casa assistindo as máquinas derrubando e transformado os sonhos de moradias em pesadelos.
Havia várias crianças que assistiram a ação truculenta da polícia cumprindo ordens do Palácio do Buriti. Nesta quarta-feira a Polícia Militar novamente invadiu o condomínio para demolir outras residências. Desta vez o choro das crianças em desespero não comoveu a ação da polícia que retirou com ameaças as famílias que ocupavam as residências.
Uma mãe desesperada subiu ao telhado deixando seus filhos assistindo o seu desespero que segurava nas mãos uma garrafa de álcool ameaçando o suicídio. A cena de horror não seria registrada pela imprensa se não fosse a equipe do QuidNovi e do programa Retrato Falado na rádio OK FM ter furado o bloqueio do Batalhão de Choque da PM se confundindo como morador, na tentativa de registrar a barbárie patrocinada pelo desgoverno de Rodrigo Rollemberg.
O Batalhão de Choque ao perceber que os jornalistas registravam a truculência, expulsaram a equipe com ameaças de agressões e prisão, impedindo o trabalho da imprensa de registrar as ameaças que os moradores estavam sofrendo. O jornalista Mino Pedrosa e Josiel Ferreira chegaram a ser carregados à força pela polícia sem o direito de exercer o livre exercício profissional.
Ao se identificar que era do programa Retrato Falado, o capital Bezerra com o sargento Chavier mais oito policiais, alguns sem identificação usaram da força para expulsar perguntando se os profissionais eram da TV Globo. Ao tomar conhecimento que se tratava do programa Retrato Falado aumentaram a truculência ameaçando de prisão e arrastando os jornalistas mesmo fora do condomínio.
O que eles não contavam é que outro integrante da equipe, o repórter Lindauro Gomes, se misturou aos moradores e registrou com um tablet toda a operação, filmando e fotografando. Os jornalista Josiel Ferreira e Mino Pedrosa se deram conta do perigo quando ouviram o barulho das ferraduras que ficavam abaixo dos pés do grupo de choque.
Acima da barbárie, sobrevoava de helicóptero a TV Globo, ja com a defesa da presidente da Agefis, Bruna Pinheiro. Dentro do condomínio Chácara 200 onde acontecia o terror uma viatura do Conselho Tutelar de Vicente Pires retirava as crianças que apavoradas assistiam o seus pais lutando para impedir a derrubada.
A Conselheira Tutelar, Marcilane, levou algumas crianças, mas outras se mantiveram dentro das residências, o barulho das ferraduras do grupo de choque parecia sobrepor as máquinas que derrubavam as residências, transformando o sonho das famílias em entulho. Enquanto isso, com a imprensa mantida a distância a presidente da Agefis concedia entrevistas para as TVs alegando que a ação transcorria como o governador, Rodrigo Rollemberg, esperava.
O Batalhão de Choque da Polícia Militar que com truculência expulsava os moradores de toda a rua e outros condomínios quando um dos policiais acertou com um cassetete o braço de um policial civil morador de Vivente Pires que assistia fora do condomínio a ação da Polícia Militar. O policial civil sacou a arma e apontou para o sargento Xavier se identificando como policial e mostrando sua defesa.
O clima que parecia ser de guerra fez com que outros moradores corressem para suas casas ao redor da Chácara 200. Enquanto isso, parte da equipe do Retrato Falado era arrastada e mantida à distância. Todo aparato usado na operação tem um custo estimado e mais de 200 mil reais por dia, com aluguel de máquinas, caminhões, helicópteros e apoio do Detran, Polícia Militar e Civil, SLU, Bombeiro, Conselho Tutelar, Ceb, Novacap e Administração Regional com viaturas e alimentação para todos servidores.
Foto: As imagens que a imprensa não quer mostrar
Agefis: Buscando os milhões
Em setembro do ano passado, véspera da campanha eleitoral de 2014, o ex-governador, Agnelo Queiroz, buscou um empréstimo de R$ 500 milhões junto ao Banco do Brasil alegando investimento em obras de saneamento na cidade de Vicente Pires.
No apagar das luzes, em setembro, véspera das eleições, Agnelo através de licitação beneficiou nove empreiteiras, entre elas, quatro foram doadoras de sua campanha. Em abril deste ano o governador Rodrigo Rollemberg chancelou a licitação para receber o empréstimo concedido.
O programa Retrato Falado na rádio OK FM revelou com exclusividade que o governador Rodrigo Rollemberg havia chancelado a licitação que Agnelo Queiroz havia feito a toque de caixa.
O Secretário de Infraestrutura do DF, Julio Cesar Peres, esteve em Vicente Pires e concedeu uma entrevista para a TV Globo anunciando o início da obra em 20 dias com o custo de R$ 500 milhões que já estavam nas mãos de Rodrigo Rollemberg. Já se passaram cinco meses e nada foi feito, as empreiteiras licitadas aguardam ansiosamente a verba milionária que deve ter sido aplicada em outra finalidade. A presidente da Agefis veio ontem em entrevista a TV Globo justificar a ação no condomínio Chácara 200 ao empréstimo concedido pelo Banco do Brasil de R$ 500 milhões dizendo, que a verba esta condicionada à legalizações das terras públicas, mas omitiu que toda a cidade de Vicente Pires esta na ilegalidade
Vicente Pires: A truculência e as ferraduras da tropa de “elite”, impedindo o trabalho da imprensa.
Fonte: http://quidnovi.com.br/coluna-do-mino/agefis-a-acao-desgovernada-de-rodrigo-rollemberg/
Excelente matéria; parabéns.
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